segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A humildade cristã

A humildade cristã Capítulo 18: 1-14 Os discípulos discutiam entre si quem era o maior entre eles, em sua jornada de volta a Cafarnaum (Marcos 9:34 e Lucas 9:46) (evidentemente não reconheciam que fosse Pedro, como quer a tradição romana). Vieram então ao Senhor e perguntaram "Quem é o maior no Reino dos céus?" Entrevemos já aqui a possibilidade de ambição e mesmo partidarismo entre eles. Tinham ainda muito que aprender, e estavam presos aos interesses e padrões que conheciam no mundo. Para ilustrar o que ia lhes ensinar, o Senhor chamou a si um menino e o colocou entre eles. Era ainda muito pequeno, pois Marcos nos diz que Ele o tomou em seus braços. Assim também o pecador arrependido ouve o Seu chamado e vem humildemente para receber a Sua proteção. O Senhor Jesus então assegurou aos Seus discípulos que, quem deles não se convertesse e se tornasse como criança, jamais entraria no Reino dos céus. Esse é o primeiro passo para a salvação da alma de todo o pecador, sem o qual não terá entrada no céu, muito menos terá alguma posição exaltada no Seu reino. A conversão consiste numa mudança completa de rumo, a negação de si mesmo e o recebimento de Cristo como seu Salvador e Senhor. É o que chamamos o "novo nascimento", que o Senhor explicou ao fariseu Nicodemos (João 3:1-21) um novo nascimento espiritual. Tornar-se como criança não quer dizer que um adulto deve passar a agir com infantilidade, abandonando a seriedade adquirida pela sua experiência. Nem é pensar como criança, voltando à ingenuidade. A virtude existente numa criança à qual o Senhor se referia era a sua humildade. Humildade não é considerada pelo mundo como uma virtude, ao contrário, os humildes são colocados para trás e espezinhados. São os menos importantes em nossa sociedade, os menos respeitados, os menos influentes. Os humildes do mundo são destinados a servir os demais, não a tomar posições de comando. O Senhor acrescentou que "quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus". Mais tarde, Ele diria aos Seus discípulos "O maior dentre vós será vosso servo." No âmbito espiritual, os valores se invertem, pois quem mais serve aos outros é o maior de todos. Ficou assim respondida a pergunta feita pelos discípulos. Não sabemos ao certo se todos os discípulos já haviam se convertido. Judas Iscariotes provou pela sua ação mais tarde que ele não havia. Mas todo o pecador tem que se humilhar, reconhecer a sua culpa de pecado diante de Deus, e receber o perdão que lhe é dado gratuitamente por fé no Senhor Jesus. Com isso ele começa uma nova vida, como uma criança, aprendendo da Palavra de Deus, e dos mestres que são mais experientes, a crescer no conhecimento de Cristo. A bagagem intelectual que tinha antes passa a ter pouco valor, mas tudo aquilo do que dispõe deve ser colocado a serviço do Senhor. Na igreja de Deus os de maior autoridade são os que mais servem: os que estão na direção de uma igreja local (chamados presbíteros, bispos ou anciãos) estão ali para servir, "apascentar o rebanho" (1 Pedro 5:2,3), os demais, que têm uma função dentro da igreja, são chamados "diáconos", que se traduz como "servo", ou "mensageiro". Em seguida, o Senhor comentou sobre a espécie de tratamento que é dado a um menino como aquele: pode ser uma acolhida, ou pode ser um tropeço. O menino era ainda indefeso, inexperiente, dependente dos mais velhos, e precisava ser ensinado. É a mesma situação inicial do pecador que se converte e começa uma vida nova em Cristo. Tendo se humilhado para nascer de novo pela fé, o novo crente precisa de tanto apoio, ensino, proteção e encorajamento quanto uma criança. É uma fase muito vulnerável em suas vidas. Portanto, o Senhor Jesus continuou a usar do mesmo paralelismo para as duas situações. Ele declarou que, qualquer que receber em Seu nome uma pessoa como aquela criança, estará recebendo a Ele. É uma séria advertência para não desprezarmos os novos convertidos. O novo convertido não só precisa, mas merece muito mais da nossa atenção do que aqueles que se acham adultos, bem instruídos e convencidos. A ajuda que lhe dermos vale como se fosse para o próprio Senhor Jesus, tal a importância que o Senhor lhe dá. Por outro lado, para quem fizer tropeçar um novo crente no Senhor Jesus, seria preferível amarrar uma pedra de moinho no pescoço e se afogar nas profundezas do mar. Fazer tropeçar é conduzir ao pecado, ou de qualquer outra maneira prejudicá-lo em sua nova vida. A figura da pedra de moinho enfatiza o mal cometido, pois: A pedra era tão grande e pesada que precisava ser movimentada por animal de carga, como um asno. Afogar era uma punição usada pelos gentios, nunca pelos judeus, para quem o mar era um lugar perigoso e afogamento era uma morte das mais trágicas. Não há nada pior do que destruir a inocência de uma criança, e conduzi-la ao pecado. É como espalhar uma doença contagiosa de propósito. No mundo o pecado existe, e as tentações para se cometer o pecado estão por toda a parte. São inevitáveis e nada se pode fazer para impedi-los ou evitar que as crianças ou crentes novos sejam expostos a eles. Mas outra coisa é ser o próprio agente de corrupção para provocar a queda desses pequenos. É preferível mutilar-se, se com isso ele puder evitar cometer tal ofensa. Para Deus, esses pequenos humildes são tão importantes, que os seus anjos nos céus estão sempre "vendo a face" do nosso Pai celeste. A expressão "vendo a face" era comum, e derivava do protocolo dos monarcas antigos, onde somente os cortesãos, ministros e as pessoas mais importantes podiam se aproximar da pessoa do rei. Também os anjos dos humildes pequeninos têm esse privilégio de se chegarem bem perto de Deus Pai. Finalmente, o Senhor Jesus contou uma parábola para ilustrar o amor de Deus para com o pecador perdido, cujo pecado foi perdoado e que, submisso, agora está gozando da proteção de Deus. A ilustração demonstra que um pastor de ovelhas acaba ficando mais contente com uma ovelha que se perdeu e que ele acabou encontrando, do que com todas as outras noventa e nove do seu rebanho. A alegria não foi porque a ovelha se perdeu e lhe deu oportunidade de ir procurá-la, é claro, mas sim porque ela foi achada. Assim também Deus não deseja que ninguém entre os seus pequeninos se perca. A parábola nos ensina várias coisas a respeito do amor de Deus: É individual. Havia noventa e nove ovelhas em segurança, mas o pastor procurou uma só que estava perdida. Deus não se satisfaz até que o último perdido é recolhido para Si. É paciente. A ovelha pode se perder tolamente, mas o pastor ainda arrisca sua vida para acha-la. O pecador pode ser tolo, sendo culpado pela sua própria situação, mas Deus ainda o ama. É ativo. O pastor não esperou que a ovelha voltasse, mas foi procurá-la. Deus mandou seu Filho para buscar e salvar os perdidos. É de regozijo. Só houve alegria do pastor, sem recriminações à ovelha. Deus apaga nossos pecados e só permanece alegria. É protetor. O pastor procurou e salvou a ovelha. O amor de Deus salva o homem da pena, do poder e finalmente da presença do pecado, tornando-o vencedor.