quinta-feira, 18 de novembro de 2010


FORÇA NA FRAQUEZA

Forjai espadas das relhas dos vossos arados,
e lanças das vossas podadeiras.
Diga o fraco: eu sou forte.
Jl 3.10
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A mensagem supra, extraída do livro de Joel, é muito contundente, atual e transporta-nos a um patamar de elevada responsabilidade ante às realidades que permeiam nosso viver, seja no plano fésico, material ou no metafísico, espiritual e místico.
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Joel conclama o povo a uma reflexão profunda da realidade, atribuindo à confiança no Senhor o sucesso e a vitória final. Diante dos agravos que assolavam o caminho da nação escolhida por Deus para ser o "espelho" que refletisse as verdades supremas do Altíssimo, não cabia ao povo outra atitude que não fosse voltar a Deus.
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Interessante, como esse texto é atual! Alguns pontos devem ser observados com maestria, pois revelam o caminho por onde o cristão deve andar:
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(a) Reconhecer seus limites.
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O texto é claro quando afirma que o povo deveria se conscientizar de que era fraco ("Diga o fraco"). Alguém disse que quando se chega ao fundo do poço e se conscientiza de que não há mais solução nem saída para uma determinada situação, o homem "escancara" uma porta para Deus; pois o agir de Deus se faz salutar na insignificância do homem.
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Não há super-homem, muito menos super crente! O que há, são seres humanos falíveis, limitados e incapaz diante das investidas espirituais que agem nas regiões celestiais. É o paradoxo que envolve a ortodoxia: somos justificados, mas continuamos pecadores. Não se explicam os paradoxos que envolvem o cristianismo, apenas se aceitam e o vivenciam na extensão da fé; diria até na extensão do "salto da fé" sobre o qual falou muito bem Kierkegaard.
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(b) Reconhecer o Senhor como o Sujeito e não como o objeto.
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Percebe-se em toda a Bíblia, mas quero me reportar à teologia paulina para afirmar a centralidade incondicional da supremacia de Deus em detrimento a qualquer ação humana. Para Paulo, o homem é um ser infinitamente limitado que não possui condições alguma de tomar decisões; destarte, cabe sempre ao Senhor o primeiro passo.
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Por esta razão, o caminho delineado pelo Senhor para que o cristão seja vencedor, tramita a conscientização de que o Senhor é forte e por Ele, através dEle e por meio dEle, é que se pode afirmar que é forte. O texto supra está de comum acordo com o paradoxo da fé: o fraco deve afirmar que é forte. Se é fraco, não se é forte; se é forte não se é fraco, afirma a ordem natural e lógica que regem a conduta humana; no entanto, como a lógica e a ordem que regem a conduta do cristão não é tão lógico nem ordena assim, o fraco pode afirmar que é forte!
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Esse paradoxo se aceita pelo "salto da fé" e se explicita pela entrega total e incondicional à soberania do Senhor. O cristão é forte não pela sua força, mas pela força que emana do Senhor; ou seja, o sujeito da ação - Deus - torna o objeto - o homem - um ser forte.
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É por esse caminho que o cristão deve andar, é por esse paradoxo que o cristão de se nortear. Assim assevera o apóstolo Paulo:
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"Pelo que sinto prazer nas 'fraquezas', nas injúrias, nas necessidades, nas perseguções, nas angústias por amor de Cristo. Pois quando estou 'fraco', então sou 'forte'." 2 Co 12.10
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Perceba que Paulo afirma que quando "está" fraco, então ele "é" forte. Que esse entendimento seja real na vida do cristão, pois assim pode-se afirmar que o caminho da vitória final está traçado.
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