terça-feira, 25 de outubro de 2011

Os Jovens e a Internet

Os Jovens e a Internet

Atualmente enfrentamos muitas dificuldades na evangelização dos jovens devido à crescente depreciação dos valores morais por parte da própria sociedade. Basta ligar a televisão para ver uma série de programas cujo intuito é buscar incutir em nossas mentes a aceitação da depravação de valores que, para nós cristãos, são essenciais à vida e que deveriam ser preservados. E não para por aí, por todos os lados somos “bombardeados” por esse tipo de investida e como o assunto são os jovens, vamos nos concentrar na Internet!
A velocidade com que as informações são transmitidas vem aumentando a cada dia com a internet e com isso a quantidade de conteúdo disponibilizado na rede hoje é incalculável. Este importante recurso para o nosso desenvolvimento traz muitos benefícios e já é difícil imaginar o mundo sem ele. No entanto essa mesma ferramenta tem seu lado negativo: ela também pode ser mal utilizada. Infelizmente, a internet tornou-se uma porta aberta para os crimes contra a juventude. A rede mundial está cheia de perigos e armadilhas prontas para “tragar” nossos jovens, afastando-os do caminho que o Senhor lhes reservou. Será que nossos jovens estão prontos para enfrentar esse tipo de situação? Nesta entrevista sobre os perigos da internet, vamos conhecer um pouco sobre a opinião de Anah Hortência Moreira Lopes, que é Educadora, Conselheira de Jovens e Adolescentes e Professora de Jovens na Igreja Batista da Liberdade em São Paulo.

VP: A adolescência, quase sempre, é uma fase complicada. O desejo de liberdade começa a aflorar, as amizades mais variadas vão surgindo e eles começam a se achar “donos do próprio nariz”. Este anseio por novas experiências acaba deixando os jovens extremamente expostos às ações do inimigo, que passa a investir cada vez mais pesado contra eles, sobretudo na internet. Até que ponto a liberdade dos filhos adolescentes deve ser “vigiada” pelos pais?

Anah: Todos somos diferentes, porque fomos criados de formas diferentes, culturas e referências diferentes, por isso a vulnerabilidade dos jovens a más oportunidades também varia. Existem adolescentes que aos 14 ou 15 anos conseguem sozinhos filtrar seus acessos. O histórico de formação de cada um é que determina a necessidade maior ou menor de vigilância dos pais sobre os jovens. Ou seja, cada pai sabe a educação que forneceu, por isso deve saber também o limite a estabelecer.
Os filhos devem sim ser vigiados proporcionalmente à sua maturidade e orientados a entender isso como um cuidado e não com revolta, pois não há nada que fique completamente oculto, afinal DEUS TUDO VÊ. Então é só nós jovens pensarmos: O que eu faço na internet que meu pai e minha mãe não poderiam jamais saber? Se for algo terrível que os pais morreriam de desgosto se soubessem, como será que DEUS se sente com isso? – E d’Ele não há como esconder nada.
Porém, essa consciência só tem uma nascente: A boca e a vida dos pais. Se educaram seus filhos permissivamente, dando a eles liberdades precoces e sem referências da vigilância constante do Espírito Santo, seus filhos deverão ser mais vigiados, possivelmente darão mais trabalho e desgostos.

O computador deve ficar na sala, num escritório comum, ou em qualquer outro cômodo no qual haja circulação de toda a família.

Ao passo que se forem educados entendendo a sua responsabilidade ética e moral dentro da realidade espiritual e forem ganhando liberdade sensata, de acordo com o desenvolvimento de sua maturidade em questões apropriadas e nas proporções corretas, os pais terão mais sossego e os filhos mais segurança. A única recomendação prática que tenho a fazer aos pais é : Não coloquem um computador conectado à internet no quarto de seus filhos. O computador deve ficar na sala, num escritório comum, ou em qualquer outro cômodo no qual haja circulação de toda a família. Se o quarto for o único lugar disponível para o computador, exija portas sempre abertas enquanto a máquina estiver ligada e horários combinados para ficar ligado (na madrugada, enquanto todos estiverem dormindo nem pensar !).

VP: A cada dia que passa surge um novo site de relacionamentos, eles estão em alta, e são uma atração para os jovens. O Orkut, um dos mais conhecidos no Brasil, mas apenas um dos muitos que existem hoje pelo mundo, acumula milhões de usuários, grande parte deles jovens, que muitas vezes expõem informações pessoais sem qualquer critério. Como você vê essa prática?

Anah: O Orkut é uma ferramenta interessante, desde que seja utilizada com a sensatez que já citamos. Reunir os amigos, atualizar os parentes que moram longe com fotos recentes, lembrar-se do aniversário da galera toda no dia certo. Espiar a viagem de férias do carinha ou da menina na qual se está interessado… Até aí… tudo saudável e divertido.
O problema começa, quando as carinhas nos quadradinhos começam a ser desconhecidas, as comunidades começam a expressar sentimentos depredatórios e militâncias burras como: “Bad Girls” , “ A namorada do meu ex me odeia”…
Obs. Chamei de militância burra, campanhas ( que normalmente titulam comunidades de redes sociais) que não dizem nada, reúnem um monte de gente que nunca visita o fórum, mas que faz parte dele para o título aparecer no seu perfil e assim dizer algo sobre si de forma ‘estilosa’, ganhando assim algum status.
È no mínimo burrice tanto participar dessas comunidades, quanto querer ser reconhecido pelo que elas divulgam.
Se expor na internet pra conseguir status (e a razão é essa mesmo… não há outra) além de burro é perigoso. Portanto, quero crer que jovens cristãos que conhecem e respeitam a Verdade, têm em si o bom-senso característico de quem realmente é habitado pelo espírito santo e escolhe com sabedoria suas comunidades (aquelas que realmente tragam assuntos que interessem e que serão visitadas e contarão com sua contribuição) e, sobretudo, utilizem de forma total as ferramentas de privacidade. Apenas seus amigos precisam saber pra onde você foi nas férias, ou que sua família comprou um carro novo. Como já disse… bom-senso e sensatez, também são sinais da presença do espírito Santo na vida de alguém.

VP: Outra grande armadilha do mundo virtual é o fato de alguém poder “ser” aquilo que ele não é, ou seja, a mentira. Esse “recurso” pode acabar virando prática e levar a pessoa a ter sérios problemas, pois como a Bíblia diz: “um abismo chama outro abismo”. Como podemos alertar os jovens a não “cair nessa”?

Amor. Esse item é o principal ingrediente para qualquer educação. Quanto mais a pessoa se sente amada, menos tem vontade de ser ou parecer outra pessoa.

Anah: A fórmula é a mesma que temos dito até aqui. Com um plus : Amor. Esse item é o principal ingrediente para qualquer educação. Quanto mais a pessoa se sente amada, menos tem vontade de ser ou parecer outra pessoa. Fazer com que o jovem saiba que é amado e admirado, por Deus, pelos pais, pela igreja, pelos líderes o fará ter prazer no que é e não haverá necessidade de ser outra pessoa pra ser aceito, pois os principais núcleos de sua vida o amam como é. Amar e demonstrar esse amor com palavras e atitudes é o melhor remédio para desenvolver o bom-senso, sensatez, o amor próprio e o respeito a si mesmo.
Ao jovem, eu diria o seguinte: Deus o fez e o ama como é. Todos os planos que Deus tem para a sua vida tem o seu rosto, corpo e personalidade. Mudá-los é um direito só de quem os fez. Não está contente com o que você é e quer ser uma pessoa melhor ? Ok. Diga isso ao seu Criador, pois é prazer d’Ele promover melhorias em você. Mas deixe que Ele o faça. Esteja apenas disponível, afinal, os pensamentos d’Ele são mais altos que os seus ;) (Isaías 55:8-9)

VP: Diariamente temos conhecimento de casos de aliciamento de menores ocorridos através da internet, casos de pedofilia e até mesmo o “bullying” já ultrapassou os muros das escolas e invadiu o mundo virtual. No entanto isso parece não aumentar o cuidado dos jovens com sua exposição, pelo contrário cada vez eles se expõem mais. Em sua opinião como os educadores em geral, mas principalmente os pais, devem agir em relação a isso?

Anah: Minha resposta continua a mesma: Amor. No caso do bullying, normalmente quem o pratica, são inseguros, com relacionamentos frustrados. Ele se sente menor e por isso precisa fazer com que o outro se sinta como ele. Quem o sofre, fica no vão entre a consistência da sua formação e o grau de afetação que essa agressão causará (uma coisa depende intrinsecamente da outra). Ou seja, tudo resume-se ao amor : Quem é amado não tem prazer no sofrimento do outro pois aprendeu a amar. Quem é amado sabe o valor que tem e pouco será afetado por atitudes de desamor fora do seu círculo de segurança ( família, igreja, amigos próximos ).
Se for necessária uma atitude enérgica como procurar a escola, ou os pais de um colega dos seus filhos, essa família deve fazê-lo, porém deve também ter a segurança de que em seu lar há harmonia que pode ser compartilhada, mostrada, testemunhada com a outra família. Amor de verdade… não virtual ! Esse amor protege seus filhos, inclusive da pedofilia na internet. Não permita que carência afetiva faça seus filhos acreditarem em mentiras de cretinos na ‘rede’. Ame-os. Ame-os mais !

VP: Jovens são sempre jovens, cristãos ou não, e todos estão expostos a todos esses riscos, mas você acredita que o jovem cristão se encontra mais preparado para essa luta? E qual é o papel da igreja nesse aspecto, ela deve abordar esses assuntos?

Anah: Não tenho dúvidas de que o jovem cristão é mais preparado para enfrentar tudo isso… Ou ao menos deveria estar. Para afirmar isso, a igreja deve abordar esses assuntos, claramente, abertamente, sem ranços e moralismos. Nós temos a Bíblia, orientação do próprio Deus para tratar de qualquer tema.
Amar seus jovens e demonstrar amor por eles é também tratar de assuntos que os afligem e que os tiram de nós. Descaradamente, debaixo das nossas barbas, a internet arrebanha a mente e coração dos nossos, enquanto nós ficamos ainda preocupados com o comprimento do cabelo, piercings e outras bobagens.
Lembrando sempre que a igreja não substitui a família. Os maiores responsáveis diante de Deus pelas crianças são suas famílias (por quem são criados, se não pais, avós, tios, etc…)

VP: Para encerrar Anah, como você definiria para os jovens “Viver a Palavra”?

Anah: Viver na Palavra ( Palavra com letra maiúscula, ou seja , o “Logos” de João 1 definindo o próprio Senhor Jesus : “No princípio era a ‘Palavra’”… ), é dia a dia conhecer essa Palavra (Jesus), reconhecer essa Palavra nos meus momentos cotidianos ( lendo a Bíblia e falando com Ele em oração tanto quanto eu me lembrar de fazer isso) e aplicá-la em tudo sem esperar nada em troca da parte de Deus. Simplesmente amá-lo pelo que Ele é e submeter-se a vontade d’Ele que é Boa, Agradável e Perfeita (Romanos:12:2).


projeto semear 2011